Fractal por Paul Bourke - Clique para ver




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      Não sabia que estava dando erro para escrever comentário. Já arrumei! Quero ouvir os seus!! -egidio
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      Este blog é uma tentativa de extrair de mim meus sentimentos, pensamentos, crenças, idéias e visões e organizá-los de forma lúdica. Não sei se conseguirei, pois são infindáveis em forma, conteúdo e interrelação, mas pelo menos vou colocá-los aqui.
      O nome Beoynd Ourselves, em inglês, já começa com algo que está além de nossa língua. Talvez como primeira metáfora relacionando tudo o que está além de nós.
      A idéia do design extraí do site de Fritjof Capra, bem como a utilização de um fractal.
      Bem vindo e espero sua crítica e comentário, pois devemos sempre ser levados a pensar.
      -egidio
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Invadiram meu blog
01-05-2006 23:47 | Por Egidio
Pois é, invadiram meu blog.
Só tinha esse backup de 20 de maio de 2005.
Perdi todos os comments, counters e posts desde então.
Tem gente que é destrutiva. O mal atinge mais quem o pratica do que quem o recebe. Isso eu tenho certeza. As contas são acertadas pela energia. Le dance lelê.
Sonhos e Olhos
20-05-2005 3:43 | Por Egidio
26/01/2004

Nada de novo. Insônia, pensamentos, idéias, angústia. E sonhos.
Não os sonhos de outdoor, revista ou big brothers. Não os carros, a casa enorme e a conta cheia. Longe disso.
Sonhos de prateleira? Verdades de prateleira? Ora, somos a geração da prateleira. “Está tudo pronto, e se achar e pegar”. Pode procurar. Você vai achar o seu sonho. O seu, o do seu amigo, primo, colega de trabalho.
Não! Não! E mais um não! Não!! E como é difícil negá-los! Como está intrínseco! Arraigado. Difundido. Sufocante...
Parecia-me fácil o script. Basta seguir o roteiro “estude e trabalhe duro”, que a felicidade virá. Ora, nada mais justo num país onde de justo só te o jota. Ou nem isso.
Sonhos! Quantos sonhos!
Olhos! Quantos olhos! Todos a te olhar, a te tingir de expectativas alheias. A te acompanhar, passo a passo, erro a erro, acerto a acerto. A te consumir, a te vigiar
Oh, os olhos... Bichos de sete cabeças, Faca de dois gumes. Portas para o mundo material. Teus melhores amigos. Teus piores inimigos, sem culpa alguma. Janelas da alma, sem pudor algum.
Olho, logo desejo.
Olhos, olhos, olhos...
Não bastavam-nos as montanhas, praias rios e mares para perdermo-nos em sonhos? Sua visão não seria suficiente para sermos felizes?
Nossa história mostra que não. Antes de homo-sapiens, somos animais. Este é o nosso reino. E todos nesse reino buscam diferenciar-se. Melhor você é, melhores suas chances de perpetuar seus genes.
Eis que “surge” o homem. Subjugando todos à sua volta. Toda a natureza. Topo da cadeia alimentar. Adubo de cidades de pedra. E que precisa diferenciar-se uns aos outros. Mas como? Primeiro, quando era melhor caçador. Hoje, quando tem poder.
Ou dinheiro, que aliás é um ótimo sinônimo de poder. “Get a good job, get more paid and you’re ok” preconizava Pink Floyd.
De sonhos, fui aos olhos, raspei na antropologia, caí no poder e no dinheiro.
Sonhos! Oh os sonhos! É assim mesmo que eles se perdem em si.
Qual teu sonho?? Tens sonhos??
Conheço gente que sonha em ver o mar. Conheço gente que sonha em ter o mar. Conheço gente que sonha sem ver o mar. Conheço gente que sonha sem ter o mar..
A mesma frase. Quatro vezes, quatro visões diferentes
Meu sonho?
De noite, na cama, é sonho. De dia, na vida, é utopia. Em casa é maravilha, na família esquisitice.
Talvez nem saiba defini-lo ao certo, pois não é tão simples assim. Não o sonho em si, mas sim defini-lo.
Sonho que é sonhos não tem fronteiras, rótulo ou credencial. Sonho é sonho, e fantasia, é alegria, é felicidade.
Sei que sonho em fazer algo diferente. Inovador talvez. Sonho com um mundo melhor. Sonho com a justiça, com a igualdade, com a dignidade. Não a minha ou a sua, mas as dos que não conseguem obtê-las pelo roteiro, pelas próprias mãos. Àqueles que precisam. Àqueles que nem receberam o roteiro. Àqueles que nem sabem que existe um.
Não sei como. Mas sei que posso tentar. Sei que posso. Sei que tenho que tentar.
-Oh, eterno prodígio eles dirão. Talento desperdiçado, louco, intransigente, irresponsável, burro, pensarão.
Quer saber, dá medo, é duro, é muito duro. Criamos raízes sem termos plantado. Plantaram em nós ervas daninhas sem perceber. Regadas com verdades prontas e sonhos enlatados. Estimuladas pelos olhos (Oh, os olhos), as raízes se espalharam pelo corpo, grudaram.
E o sucesso alheio parece como uma cenourinha à sua frente. Corra e ganhe seu prêmio.
É difícil. Sei que é. Mas é nobre. E é meu.
Significado
20-05-2005 3:04 | Por Egidio
Todas as coisas, tudo, tem um significado. Coisas são eventos, acontecimentos, atitudes, pensamentos e sonhos. Em tudo há uma lição, uma integração, uma correlação.

Estar sensível a isso é trabalho árduo para uns e para outros. Para uns outros nem tanto.

Mas de fato, a cada expansão da consciência através do entendimento das coisas e dos seus significados aumenta também a capacidade de entendê-las e a naturalidade que essa relação de significado e compreensão se desenvolve.
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15.05.2005
Inacabado
17-05-2005 18:00 | Por Egidio
Tudo escrito. Palavras, dias, sorrisos e choros.
Tudo dito, medos e sonhos.
Tudo ouvido, verdades e mentiras.
Tudo sentido, amor e ódio.
Tudo inacabado.
Pra você
17-05-2005 17:58 | Por Egidio
O doce dos chocolates,
o aroma, beleza e tez das flores.
Gostos,
cheiros,
visões e texturas,
que encantam,
experiências dos sentidos,
impressões na alma.
Sejam dos chocolates,
sejam das flores,
ou de nós dois.
Tudo e Nada
17-05-2005 17:54 | Por Egidio
Vazio,
tudo e nada.
O cheio que não está cheio.
Tudo cheio de nada.
Tudo vazio de nada.
Cheio de nada,
Vazio de tudo.

Cheio,
Tudo e nada.
O vazio que não está vazio.
Nada cheio de tudo
Nada vazio. Tudo,
Cheio de tudo,
Vazio de nada.

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2004
Folhas e espaços
17-05-2005 17:49 | Por Egidio
Folha nova, alegria
Espaço em branco, fantasia.

Folha nova, desfiladeiro de linhas
Espaço em branco, apenas linhas.

Folha nova, poço de esperança
Espaço em branco, local de mudança.

Folha nova, caminho
Espaço em branco, futuro.

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2004

Nostalgia
17-05-2005 17:42 | Por Egidio
Hoje passei por lugares dos melhores e mais belos da minha nostalgia. O prédio da empresa onde nos conhecemos, o restaurantezinho onde tomávamos nossos cafés da manhã, atrasados e extasiados. Desço a Rebouças, lá estava o apartamento. Não contei os treze andares, mas sabia que havia ali uma janela, donde se estivesse estaria me olhando no carro, donde tantas lágrimas caíram de mim e donde tantos mil sorrisos estamparam meu rosto. Hoje é domingo. Os domingos dos trânsitos e pessoas mais calmas me permitiu acompanhar com os olhos, com os sentimentos e com a memória paisagens da minha própria vida.. Bom é não sentir tristeza. Só melancolia acompanhada de alegria. Bom é poder respirar nessa energia a energia desse momento e tê-lo dentro de mim. Bom é poder ter vivido toda essa maravilhosa história e tê-la em mim. E prosseguir é também admitir que sou um homem solteiro. E pela primeira vez admiti. Num domingo, domingo de hoje.
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escrito em 16 de abril de 2005
Momento da concepção
17-05-2005 17:38 | Por Egidio
Uma tromba de águas mágicas vinda dos céus atravessa meu ser, da cabeça ao púbis. Águas divinas, águas da criação. Chamo-as assim pois assim as senti. E quando as senti soube o que eram. Nesse dia amamo-nos durante horas e horas de êxtase . Dois seres maduros e entregues no amor ao prazer a serviço do amor. Prazer é manifestação dos sentidos. O ato de criação é manifestação da própria vida. O amor é o elemento chave para viver a plenitude desse momento. Unidos e ungidos pelas águas para criar um novo ser. Homem e Mulher se fundindo em um novo ser. Com todo nosso amor presente – Amor, A maiúsculo, liberdade, sem fronteiras – creio que pude ter acesso a essa experiência. Espécies evoluem indubitavelmente e até que se prove o contrário Darwin, mas Vida, ah, a Vida se cria. A imagem e os sentimentos daquela noite me acompanharão por todo o sempre.
Amor volat undique
11-05-2005 11:33 | Por Egidio
Tira meu chão
Me traz pra perto
Me tenha.
Rouba meu coração
Me leve pra longe
Me suga.
E ponha-se calma
Me olha nos olhos
Me siga.
Perca-se em mim
Me dá tua mão
Te guio.
Deixa-me levar-te
Confia
Te curo.
Diálogo curto.
11-05-2005 11:06 | Por Egidio
- esteja em casa, porta livre, porteira aberta - lume no chão e vida no coração, todo sujeito é um amigo, todo amigo é um irmão, de caminhada, de luz e escuridão, somos todos cegos da vida na saudade de sua própria paixão...

- Grato e livre adentro! Vida na veia, esperança na frente e a história na boleia; na prosa do amigo, a alma se alumeia e alegre serpenteia pelos campos do porvir a que semeia.

- a galope, taco em riste, bola branca,braço forte, pois que o bagual se cansa, isso termina e quando se vê, já foi, já era, por-tanto- tanto pensado, tanto esforçado, perda de tempo- vale mais o senso de que se é o que se deseja, não o que se almeja...porque isso muda demais...

- do que foi e que revela a cada instante tudo o que é, que descerra e que se torna, o ciclo, expansão de si, senso do que se é, espelho do que se deseja, semente que auto-semeia, eis que nada almeja.

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Diálogo entre Osmar e eu, via scrapbook
maio 2005
Criar
06-05-2005 21:31 | Por Egidio
Tudo o que a humanidade criou ela não mais que transformou. Transformou metal em computador, partículas em aglomerados de partículas. Até um humano já criou. Transformou um fragmento do DNA em um ser equivalente. Tanto criou e nunca passou perto do que é a Criação. Criar a vida. Podem até saber o processo todo. Mas daí até afirmar que conhecem tudo o que está envolvido existe uma eternidade os separando. Ainda vou escrever mais sobre isso.
O óbvio é óbvio, desde que se enxergue o óbvio...
06-05-2005 21:21 | Por Egidio
O óbvio, que é óbvio, vai ser visto sempre superficialmente, pois se é óbvio, automatizado está. E tudo que automatizou em nós, é feito sem ser pensado. "É óbvio que a minha mão tem que fazer esse movimento para que a faca execute sua função." Ou seja, o óbvio torna-se o movimento. Não a percepção. A percepção, o entendimento do óbvio está mais profundo do que nos parece óbvio. Got it?
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"Nos domínios da observação, o acaso somente favorece o espírito preparado" - Loius Pasteur

"Toda a verdade é verdade até que uma nova verdade seja descoberta. A isto chamamos conhecimento."
- eu!

"Em tudo na vida a perfeição é finalmente atingida, não quando nada mais existe para acrescentar, mas quando não há mais nada para retirar." - Antoine de Saint-Exupéry

"É apenas com o coração que se pode ver direito, o essencial é invisível aos olhos." - Antoine de Saint-Exupéry

"Assim como com uma vela acesa se acende outra, o mestre transmite o genuíno espírito da arte, de coração a coração, para que eles se iluminem. Então, se a graça lhe é reservada, o discípulo descobre em si mesmo que a obra interior que ele deve realizar é bem mais importante que as obras exteriores, por mais atraentes que sejam, e que ele deve persegui-la se quiser ser o artífice do seu destino de artista." - Eugen Herrigel

"O oponente mais poderoso está dentro de nós mesmos." -
Hidetaka Nishiyama

"Quem não souber viver com pouco será sempre um escravo." -
Horácio
outra versão "A quem o pouco não basta, nada basta." -
Horácio

"Reaja inteligentemente mesmo a um tratamento não inteligente." - Lao-Tsé
Alguns microcontos
06-05-2005 20:50 | Por Egidio

Fumava, bebia e comia demais. Morreu de velhice.

À noite trite e escura o dia azul só tingiu.

Já velho agradeceu como jovem ao encontrar sua essência.

Quanto mais culpava o externo, menos encontrava uma saída.

Pelezinho infante, almoxarife em diante.

Pulou do prédio e morreu. Suado e aliviado acordou.

Seria o trem que ouvira que a traria após anos?

Ela já havia partido, sem saber corria ele tudo o que podia.

Ao porvir do novo o antigo engedrava sua tática.

A distância do diagnótico separava a alegria da tristeza.

A alegria nunca perdeu. Mesmo quando perdeu as pernas.

Ao nascer da criança sua esperança tomou forma.

Amou-a calado a vida toda. Ela se foi. E ele com ela.

Chovia muito. Mas só queria bailar como Astaire.

Cem dias, cem noites. E decidiu parar de sofrer.

Do compreender a vida seguiu o sentido da morte.

Não! Último grito e o estampido final. Silêncio.

Um sorriso da criança para cada pulo do gato branco.

Era um branco de pele que amava ser negro de alma.

Baixou-lhe a resistência. Deixei-o com dor de garganta. (microconto da bactéria kkkk)

Seu amor por ela nunca cessou. Ela, fugiu com outro.

Havia eu. E Deus. Quando busquei dentro de mim.

A casa, o amor não mais, e a soleira continuavam lá.

Abriu os olhos e pôs-se a sorrir. Meu primeiro filho!

ABAIXO A DITADU - BUM! Comuna safado...

Única era quando à verdade enxergaram.

Driblou um, dois. Ele e o goleiro. Perdeu! Aplausos. Pelé.

Aos milhões às ruas, verdes e amarelos. Tricampeões.

Tristeza de não poder ser mãe era Dona Zuleima.

Abriu portas. Transoformou-se. E a vida fez sentido.

Chico n'alma. E no assobio na mente de sua cela no DOPS.

Sem saber o que fazer, pôs-se a compor. Para sempre.

A linda vista pela primeira vez. E, sem saber, última.

Nem tingia-lhe a face a vergonha do famoso traste.

Mas não era de brinquedo, indagou o piá ao amigo caído.

Jorrava de si o Amor. E sofrer perdeu o sentido.

Aos prantos, contemplavam a Verdade revelada.

A vaidade o consumiu até tornar-se ela.
Tudo em dois
07-03-2005 16:31 | Por Egidio
Tudo em dois

São duas as xícaras de café, ambas de metal, uma vermelha e outra bege, esquecidas num armário de uma fazenda.
Duas também são as taças de vinho, de vidro mesmo, nada rebuscado nem por isso menos belas, guardadas num armário de uma cozinha.
Bem como são duas as varas de pesca, uma preta e uma prata, com linhas, bóias e anzóis, retraídas e empoeiradas em cima de uma cômoda num quarto.
Tais quais os dois travesseiros, uma mais alto que o outro, que repousam lado a lado sob uma manta quadriculada de uma cama em um quarto.
Também são dois bancos de carro, duas caixas de lente, duas escovas de dente.
E por mais que um tome café nas duas xícaras, sorva diferentes vinhos em ambas as taças, fisgue belos peixes com as duas varas e abrace ambos os travesseiros, a sensação é de que nada parece igual quando a xícara vermelha era minha e a bege sua; nem quando cada um tomava vinho em sua taça; nem quando minha vara era prata e a sua era preta; muito menos quando o travesseiro mais alto era o seu. Mesmo que a sua parte em minha memória e em meu coração estejam vivas.
Reflexão sobre uma questão
18-02-2005 21:33 | Por Egidio
Fi, querido irmão!

Que lindo o que você escreveu!
Mostra que você é um homem em transformação, querendo entender as coisas, enxergando a loucura em que viviemos, questionando valores universais!
O meu próprio desgosto por muitas coisas da vida tem muito deste sentimento. Onde foi parar essa essência, que une os homens, que derruba fronteiras e preconceitos, que os torna iguais, que os faz sorrir, que traz a paz??
Minha consciência me diz que ela se perdeu em meio a uma sociedade ocidental capitalista desenfreada, na luta pelo lucro (sinônimo da opressão), na busca pelo poder, pelo ter mais e mais. Exatamente o que você questiona.

Ter, hoje, é o que se vende. E se se vende, é porque tem quem compre. E isto se configura nos conceitos - até valores para alguns - de posse, beleza (nunca desvinculada da posse), do poder de consumo.
É triste mesmo olhar para fora e ver o mundo como está. A realidade exterior nos tira a fé, nos arranca a esperança, nos rouba o sentido. E aí a massa vai seguindo, sem poder ao menos raciocinar, questionar.

São questões muito profundas. Muito mesmo. Sei identificar claramente isto, pois sou uma pessoa que vive raciocinando sobre questões profundas. Tenho passado os últimos tempos praticamente prostrado, de tantas questões profundas. Não consigo andar no shopping sem pensar nisso tudo. Não consigo ver televisão sem pensar em outras tantas coisas. Não consigo trabalhar por tentar entender mais sobre as coisas. Questões profundas. Toda minha atitude, como sou, o que visto, o que falo, o que qustiono, são coisas profundas. E são nestes momento que crescemos como homens conscientes de seu papel nesta vida, conscientes do seu papel no universo, com todas coisas ao nosso redor, e com todas as coisas que nossos olhos não conseguem enxergar ou nossa mente não consegue conceber.

Sua questão central neste momento é "onde está o amor", ele ainda existe?
Tudo nesta vida é um ato de fé. Acreditar que o papai pode mudar é um ato de fé. Acreditar que os homens podem evoluir é um ato de fé. Acreditar que podemos ganhar na megasena é um ato de fé. Tudo é fé. Inclusive acreditar no amor.

Já fiquei muito distante do amor. Muito mesmo. Mas hoje afirmo: ele existe. Ele está em tudo e em todos. E vou mais fundo na minha crença: o amor LIBERTA.'Aliás, é a única coisa que liberta literalmente. Sou hoje um homem livre, pois amo. Sou livre dos conceitos dos outros, livre para acreditar, livre para sofrer, livre para questionar, livre para viver, livre para amar. Amo muito e amo tudo. Os bichos, a natureza, você, papai, mamãe, Vanessa, o sol, a lua, as estrelas, a infância, a juventude, a velhice, as plantas, as flores, o mar, os homens, a vida. Amo tantas coisas. E a mais importante: amo a mim mesmo, e isso foi a minha maior conquista. Sem amor próprio é impossível amar ao próximo.

Talvez tenha tido sorte de encontrar uma mulher que me mostrou o amor de uma maneira que nunca havia concebido. Talvez eu precisasse encontrar esta mulher. Talvez eu estivesse esperando essa mulher desde quando nasci. Mas nada teria acontecido se eu não estivesse preparado para aprender. Preparado e com a guarda abaixada, aberto completamente, mesmo com toda a minha dor, com todo o meu jeito, com todo o meu ser.

Somos iguais. Somos metades distintas de duas pessoas iguais. O que difere é nossa história pessoal, que moldou nossa personalidade diferente. Mas somos iguais em valores. E te digo: o amor está dentro da gente. No nosso ser. E quando ele aflora, ele "contamina" os outros. Mas é preciso muito esforço, quebrar muitas regras interiores e exteriores para o amor ter espaço na vida das pessoas. É por isso que o modo que as pessoas vivem aqui, onde só há espaço para o trabalho para viabilizar o lucro alheio e sua própria subsistência, faz com que não haja muito espaço para o amor. E essas pessoas transmitem inconscientemente esta falta de espaço para o amor em suas casas, com seus filhos, irmãos, pais, avós e amigos. E isto vai tomando o inconsciente coletivo. Onde você vai você encontra os mesmos padrões, levando sempre em conta as diferenças sócio-culturais.

Hoje, o dinheiro manda no homem. A vida gira em torno do dinheito. Sem condições financeiras para sobreviver dignamente, pra que amor se existe uma garrafa de pinga, um baseado, uma carreira de cocaína e uma arma na mão? Sem falar no fator beleza. Hoje, as pessoas amam com os olhos. É isso o que a mídia vende, isso dá lucro. Nem envelhecer podemos mais. Amor dos olhos é o amor mais triste que existe. E isto também está matando o amor verdadeiro, que a ama o ser, que ama o âmago. Acho que de maneira bem simplista, pois no meu pensamento ainda existem muitas outras coisas, isto ilustra o quadro, visto pelos meus olhos, sentido pelo meu espírito e racionalizado pela minha consciência.

Os valores estão completamente invertidos. E a esperança reside naqueles poucos - que hoje são muitos - que acreditam no amor, que questionam esta inversão de valores, esta vida falaciosa que a sociedade nos impõe. When I'm a good dog they sometimes throw me a bone. Quando sou um bom cachorinho eles, algumas vezes eles me dão um osso!

Tenha esperança, meu querido e amado irmão. E se mesmo assim não adiantar, continue tendo esperança. Pois isso é o que nos resta.

Te amo muito.
14 de junho de 2004
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